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Archive for setembro \14\UTC 2015

O livro de Neemias traz um relato bastante pertinente para a história de Israel, com a reconstrução de Jerusalém, mas envolve, espiritualmente falando, conceitos de grande importância para o líder cristão. É por isso que estudamos este livro tendo como base Ladrilhos da Liderança Bíblia.

A divisão feita propõe 08 (oito) ladrilhos, quais sejam: (1) Ladrilho da fé; (2) Ladrilho da oração; (3) Ladrilho da disciplina; (4) Ladrilho do ensino bíblico; (5) Ladrilho da reconciliação; (6) Ladrilho do caráter do líder; (7) Ladrilho da ação de graças, e; (8) Ladrilho do Testemunho. Todos estes seguindo a ordem da narrativa dada por Neemias. Sendo, portanto, o ladrilho da reconciliação o abordado neste capítulo 9, que discutiremos aqui.

Em Neemias 9, vemos um povo que foi chamado por Deus, redimido por Cristo, e agora experimenta a edificação que vem do Espírito Santo. Estes eleitos, outrora escravos babilônicos, se unem a Neemias (mas não com facilidade, houve muitas provações antes dessa firmeza) para reconstruir. Reconstruir significa dentre muitos sinônimos, reformar, reconstituir, restaurar. E para todos esses significados, vemos a perspectiva de algo que se perdeu ao longo de algum tempo.

O povo, na escravidão, esqueceu-se de viver uma vida de retidão a Deus. Isto afetou suas vidas de modo pessoal, familiar e espiritual. E por esta razão, a Lei precisava ser restabelecida. Neemias, no capítulo 8, traz à tona a maravilhosa vontade de Deus expressa em sua lei, e o resultado da leitura feita, é o capítulo 9, onde o povo ora a Deus, confessando e renovando o compromisso de deixar o pecado, vivendo em retidão aos seus preceitos.

É importante ressaltar que não há reconstrução sem oração. Aqui abrimos um parêntese para exemplificar a situação política do Brasil, onde muitas pessoas têm ido às ruas para protestar pela corrupção e miserabilidade que tem grassado nas mais diversas responsabilidades sociais do governo. Porém, sem que haja oração precedendo a revolução, de nada adiantarão os esforços, serão inúteis. E Neemias é um verdadeiro modelo de como se deve proceder ante a reforma: orando.

Mas, por que razão a oração é essencial na reconstrução? Porque é essencial que aquele que ora compreenda que Deus é soberano sobre todas as coisas e que nada acontece sem o Seu consentimento, porém, Ele deseja que derramemos as nossas petições a Ele, em oração. Agrada-Lhe receber as orações do Seu povo. Embora a oração não mude a vontade de Deus, ela irá nos transformar a compreendê-la.

É por este entendimento que Neemias, junto à uma liderança capacitada e a todo povo, ora a Deus. O momento solene consiste numa assembleia em que parte do tempo é destinada à leitura da Lei e a outra parte à oração a Deus.

A oração do capítulo 9 de Neemias é iniciada com a exaltação sobre quem Deus é. Reconhecê-Lo como Bendito, Criador, Mantenedor que escolhe um povo para ser exclusivamente seu, tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes novo coração de carne. Este Deus é elevado acima de todas as coisas e lembrado como sendo de geração a geração.

O povo relembra os memoráveis feitos de Deus a Israel desde a chamada de Abraão e o estabelecimento da aliança, de que Deus daria uma terra à descendência de Abraão. As adversidades até a conquista da terra prometida são detalhadas, para mostrar o poder de Deus, deparando meios extraordinários (como as 10 pragas) para libertar o seu povo.

Também a providência de Deus é destacada na narrativa quando a caminhada no deserto é citada, onde Deus preservava o povo de dia com uma nuvem e de noite com uma coluna de fogo, protegendo-os dos perigos climáticos e circunstanciais do lugar. Também as vestes e os calçados não se destacaram e nem a fome os atingiu. Ainda por ocasião da Libertação, Deus instruiu o povo na Lei, dando-lhes a conhecer sobre servi-Lo e ser abençoado como dádiva pela obediência aos preceitos do Senhor.

Porém, a despeito de todas as benesses do SENHOR, o povo se corrompe e faz para si bezerro de ouro, julgando com isso tributarem culto a Deus e ainda exigiram para si um rei, pois não queriam ser governados pelo Soberano. Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, perdoa o Seu povo que age desordenadamente. Concede-lhes instrução do Espírito Santo durante todo o tempo (quarenta anos no deserto).

Os filhos do povo foram multiplicados pelo Senhor, que os abençoou para que se tornassem fortes e vigorosos, guerreiros aptos para conquistar a terra prometida, quando fosse o momento. Após a conquista, o povo se tornou próspero na terra. Neemias diz que “viveram em delícias, pela tua grande bondade”. Mas ainda assim o povo se tornou rebelde contra Deus. Zombaram e maltrataram os profetas do SENHOR, desprezando os seus ensinamentos e tornando-se soberbos e arrogantes em suas práticas.

Por causa da desobediência, Deus manda a opressão sobre o Seu povo, mas ainda isto é expressão da bondade de Deus, pois na Sua ira, poderia exterminar a todos, se assim o desejasse. E é com este entendimento que o povo renova compromisso com Deus de obedecê-lO e buscá-lO de todo coração, de toda alma, com todas as forças e com todo entendimento.

Trazendo a situação descrita em Neemias 9 para os nossos dias, podemos fazer uma relação oposta com a questão da individualidade. O mundo em que vivemos trata de pessoas individualistas. Cada qual vive no seu mundo, com seus costumes e crenças e o outro (estranho) só é bem-vindo enquanto pensar ‘igual’. Por causa disto, tornamo-nos descartáveis uns para os outros. Isto é, dificilmente se procura manter o bom relacionamento, fruto de muito diálogo e cordialidade.

Pois este individualismo tem contribuído assustadoramente para o elevado grau de prejuízos em reconciliação. Como somos descartáveis, não há mais espaço para o perdão (de quem pede e de quem concede). É claro que tudo isto é reflexo da natureza pecaminosa que habita no homem e o afasta do Deus vivo.

Uma criatura regenerada por Deus, necessariamente rompe com as artimanhas do individualismo. Expressa-se em alta capacidade de perdoar e pedir perdão, humilhando-se diante do SENHOR e O elevando acima de todas as coisas. Semelhantemente, uma igreja que prega genuinamente a Verdade, exerce o perdão de modo sublime para com todos os seus circunstantes. E derrama-se diante do Senhor em humilhação e confissão de seus pecados.

O alto preço de Cristo na cruz é expressão do tão grande amor com que nos perdoou. E ordena que do mesmo modo perdoemos uns aos outros, em amor (Cf. Colossenses 3.13). Assim o façamos!

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